Veja as respostas para 10 dúvidas muito curiosas

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Por que os cachorros cheiram o rabo uns dos outros? Por que os gatos sempre caem em pé? Por que os pilotos kamikazes usavam capacete? Qual o time de futebol mais antigo do mundo? E, afinal, um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar?

Você Sabia?

Por que cães cheiram o rabo uns dos outros?

Foto: Getty Images

Praticamente tudo o que um cão precisa saber de outro está no ânus. Naquela região se encontram as glândulas anais, que produzem um líquido de cor castanha de cheiro forte. O odor fornece a outros cachorros informações preciosas, como a raça, se é macho ou fêmea e, especialmente, o estado de espírito do animal, explica a médica veterinária Karine Evangelho.

“Funciona como se fosse uma espécie de carteira de identidade animal”, exemplifica. A comunicação canina é feita pelo olfato de duas maneiras: pela eliminação de aromas específicos nas fezes, urina ou secreções glandulares e também pelo cheiro de seu próprio corpo.

Essa comunicação usa mensagens químicas chamadas de feromônios. E, quem diria, saber porque um cão cheira o rabo do próximo explica também uma famosa expressão em português.

Cachorros muito submissos tapam completamente suas glândulas anais, para evitar que os outros sintam seu cheiro. Ou seja, saem por aí literalmente com o rabo entre as pernas. E o contrário também é verdadeiro: quando um cão deseja demonstrar autoridade, levanta o rabo para exalar mais cheiro, explica Karine.

Nos grupos, a identificação do líder é feita justamente por esse processo. O animal abana o rabo para mostrar que é o dono do pedaço. “Porém, se não existe relação de liderança, eles se cheiram, reconhecem-se, mas não abanam o rabo”, conta a veterinária.

Por que os gatos sempre caem de pé?

Foto: Getty Images

Isso ocorre porque a transmissão das mensagens nervosas entre os olhos, os ouvidos, os músculos e as articulações do gato ocorre tão rapidamente que faz com que o animal tenha um grande equilíbrio. Porém, para que ele caia em pé, é necessário que a queda lhe dê tempo suficiente para retomar o equilíbrio.

Quando o gato cai, os olhos e os ouvidos enviam ao cérebro uma mensagem sobre a posição da cabeça em relação ao solo. O cérebro responde com comandos para os músculos, que corrigem a postura da cabeça e alinham o corpo do animal. “Isso tudo acontece em frações de segundo e o gato chega ao solo com as patas para baixo, pronto para absorver o impacto”, disse a veterinária Márcia Lima de Oliveira.

Segundo a veterinária, a elasticidade dos ossos dos gatos é apenas 1/10 menor do que a da borracha. Por isso, se um gato cair do 10° andar de um prédio, tem 90% de chance de sobreviver. Nos humanos, essa taxa cai para 10%

Os raios atingem duas vezes o mesmo lugar?

Foto: Getty Images

A chance dos raios atingirem duas vezes o mesmo lugar ao acaso é pequena, mas existe. Segundo Sílvio Dahmen, professor de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é apenas uma questão de probabilidade. Como há vários locais onde os raios podem atingir, e isso depende de condições atmosféricas ideais, é muito pouco provável que dois raios sejam observados atingindo um mesmo local.

Dahmen explica que os raios são descargas de eletricidade atmosférica. “Da mesma maneira que, ao esfregarmos nossos pés num carpete, geramos eletricidade estática e depois a descarregamos ao tocar num objeto metálico, gotículas de gelo ou água ficam eletricamente carregadas pela convecção na atmosfera – ou seja, pelo movimento ascendente de ar mais quente e descendente de ar mais frio.

Quando uma nuvem eletricamente carregada passa sobre a Terra, ela induz cargas de sinal contrário na superfície. Se a diferença de potencial entre a nuvem e o solo for grande o suficiente, há uma ionização- íons são átomos ou moléculas eletricamente carregadas – do ar próximo à nuvem. Este canal iônico, à medida que cresce, pode fazer contato com o solo, criando uma espécie de fio pelo qual a nuvem pode descarregar: um raio”. Mais sujeitas a correntes de convecção, as regiões tropicais registram a maior incidência de raios, diz o professor.

Objetos pontiagudos como para-raios, árvores ou até mesmo pessoas, caso estejam em local aberto e descampado, podem atrair descargas elétricas. A explicação é que a ionização é mais forte nas pontas – onde os campos elétricos são mais intensos. Por isso é recomendável não ficar em pé durante tempestades com raios, em praias e áreas descampadas.

“Alpinistas que utilizam picaretas também servem muitas vezes como para-raios. O processo anterior ao raio, o da ionização, é o mesmo pelo qual funcionam as lâmpadas fluorescentes. Por esse motivo os alpinistas sabem que quando sua picareta começa a brilhar, devem encostá-la o mais rápido possível na rocha, para que não fique com a ponta no ar. O mesmo ocorria no mastro dos navios, motivo de grande temor entre marinheiros”, diz Dahmen.

Você já viu um chester antes dele ir para a mesa?

Foto: Getty Images

Sim, o chester existe. Ele é um frango com peito e coxas rechonchudos, mas com pouca gordura. Segundo a assessoria de imprensa da Perdigão, 70% da carne é concentrada nesses dois locais. A ave atinge sua idade de abate pesando cerca de quatro quilos.

Em 1979, a empresa enviou ao exterior dois de seus principais técnicos especialistas em avicultura com a missão de procurar uma nova linhagem. Em sua busca, encontraram uma empresa que trabalhava suas aves com o objetivo de melhorar o resultado das carnes e que havia desenvolvido uma ave tipo roaster, com maior quantidade de carnes nobres. Então foi comprado este pacote genético que permitiria introduzir a criação das aves no Brasil.

No final da década de 80, por questões de proteção sanitária, foi desenvolvido um projeto para construção de uma nova granja exclusiva para pesquisa e desenvolvimento genético da ave chester. A nova granja foi inaugurada em 1992, em Arceburgo (MG).

Apenas os melhores animais são selecionados para a reprodução com base no acompanhamento criterioso de cerca de 45 informações. Com o processo de melhoramento genético, as características importantes que dão identidade à ave são melhoradas, geração após geração, e transmitidas aos filhos.

Um pum pode pegar fogo?

Foto: Getty Images

A chance de pum pegar fogo existe, sim, mas é muito pequena. Entre os gases que compõem o pum está o metano (CH4), que é uma substância combustível e pode incendiar se em contato com algo que produza fogo, como uma faísca de um isqueiro.

A presença do metano depende da alimentação, mas a concentração em geral é baixa, cerca de 25% dos gases. Só para comparar, um cilindro de Gás Natural Veicular (GNV) contém 80% de metano. Nesse caso, a probabilidade de pegar fogo é significativamente maior, por isso a necessidade de manter um equipamento dentro das normas de segurança.

Também estão presentes na flatulência, de acordo com o professor de Química, João Usberco, o gás carbônico, oxigênio, nitrogênio e outros derivados, como o gás hidrogênio e o gás sulfídrico, que não pegam fogo.

Na flatulência das vacas, a concentração de metano é bem maior, e o processo de digestão destes animais produz grandes quantidades do gás. Quando liberado na atmosfera, o metano aumenta o efeito estufa, o que contribui para o aquecimento global. Mesmo com essa potência toda, a possibilidade de um pum de vaca pegar fogo também é muito pequena.

Pela grande concentração de metano, o estrume de cavalos, assim como os excrementos de suínos, aves e caprinos, são utilizados no Brasil para a produção de energia. Vários projetos em localidades diferentes do Brasil, como Brasília, Paraná, Tocantins e Ceará, já utilizam biogás, produzido a partir das fezes de animais, para produzir energia limpa e renovável.

A diretora do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Laura Porto, afirma que a utilização dessa matéria-prima para produção de biogás colabora para a redução no lançamento de gases que causam efeito estufa.

Por que os pilotos kamikazes usavam capacete?

Foto: Getty Images

Realmente não se espera que os pilotos kamikazes do exército japonês, que combateram durante a Segunda Guerra Mundial, estivessem muito preocupados com a sua segurança no voo que os levaria para a morte por escolha própria, mas então por que eles usavam o capacete?

A função principal dos capacetes na aviação não é a proteção dos pilotos, mesmo porque, em caso de acidente, eles pouco poderão ajudar. Segundo o Guia dos Curiosos, no início, como os primeiros aviões tinham cabines abertas, os capacetes – assim como as mantas – faziam parte da vestimenta que manteria os pilotos aquecidos.

Quando os aviões passaram a ser construídos com as cabines fechadas, os capacetes eram usados para comunicação dos pilotos com a base, acomodando fones de ouvidos e microfones.

E essa era a função do capacete para os kamikazes. Através dos fones acoplados, eles recebiam as informações da base a respeito dos alvos.

Qual o animal que mais mata humanos no mundo?

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Não existe um levantamento preciso e específico, mas, entre a comunidade científica, é consenso que o animal que mais mata humanos é o hipopótamo. E o biológo Guilherme Domenichelli, do Zoológico de São Paulo, confirma essa tese.

“O hipopótamo é um animal extremamente territorialista. A menor aproximação de um estranho tem como resposta um ataque”, explica Domenichelli. Por isso, afirma o biólogo, é comum o registro de muitas mortes, principalmente na África, por ataques desses animais.

A aparência pacata do hipopótamo disfarça a verdadeira intenção do bicho quando ele abre a boca ao notar a aproximação de alguma pessoa: mostrar suas poderosas e destrutivas presas.

O biólogo lembra ainda que as principais vítimas são as populações ribeirinhas do continente africano, que navegam pelos rios em pequenas canoas que são consideradas uma ameaça pelos hipopótamos.

Já no Brasil, Domenichelli destaca os tubarões como um dos principais responsáveis por mortes de humanos. E para completar a lista, o biólogo cita as abelhas como uma das maiores causadoras de óbitos.

Segundo ele, as abelhas atacam em grupo, e se uma pessoa levar muitas picadas simultaneamente corre o risco de sofrer um choque anafilático e morrer por asfixia.

Mas antes de causar pânico, Domenichelli avisa: os humanos não são presas preferenciais de nenhuma espécie. “As mortes de pessoas causadas por animais são considerados acidentes. O ser humano não é presa de nenhum animal.”

Por que aviões não são construídos com o material da caixa-preta?

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Esta é fácil. Se um avião fosse construído com os mesmos materiais que protegem uma caixa-preta, o peso inviabilizaria o seu voo. “É como querer que um tanque de guerra participe de uma corrida de Fórmula 1”, compara o vice-diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Hildebrando Hoffmann.

Só para ter uma ideia, um avião muito utilizado na aviação comercial brasileira, o modelo da Boing 737-700, pesa, no máximo, cerca de 70 t. Se a mesma aeronave fosse construída com resina e misturas de metais (os mesmos materiais que protegem as áreas eletrônicas da caixa-preta), seu peso seria de aproximadamente 550 t.

“Isso torna o voo inviável. Seriam necessários motores gigantescos para tirar esse avião do chão. É um projeto completamente descabido e inviável pela relação custo/benefício”, afirma Hoffmann. Ele diz que normalmente os aviões comerciais são construídos a partir de fibras de vidro e de carbono, materiais muito leves, resistentes e de baixa manutenção.

Caixa-laranja

De preta a caixa que contém informações preciosas sobre o voo só tem o nome. A caixa-preta é, na verdade, laranja. E tem duas tiras que refletem a luz. Assim fica mais fácil encontrá-la no mar, em florestas ou em meio aos destroços do avião.

Com cerca de 13 cm de altura, 22 cm de largura e 40 cm de comprimento, ela aguenta uma temperatura de até 1.100°C. Caso caia no mar, ela suporta uma pressão de 20 mil pés, ou aproximadamente 6 mil metros de profundidade.

“Dessa forma não há possibilidades de que a água danifique os circuitos eletrônicos, a ‘memória’ que guarda todas as informações importantes do voo”, explica o professor.

Qual o time de futebol mais antigo do mundo?

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Você já imaginou um time de futebol amador, que joga na oitava divisão, ganhando uma medalha de mérito da Federação Internacional de Futebol (Fifa)? Foi o que aconteceu com o pequeno Sheffield FC, da Inglaterra, apontado pela entidade como o mais antigo clube de futebol do mundo, que recebeu a distinção em 2004.

Fundado em 24 de outubro de 1857, na cidade inglesa de Sheffield, o time nasceu da vontade de membros de um clube local de críquete, modalidade que só podia ser jogada no verão, de praticar um esporte que permitisse manter a forma durante os meses de inverno.

A opção foi por montar um time de futebol, modalidade que, ainda sem regras definidas, desde 1855 já vinha sendo jogada como passatempo em brincadeiras dos jogadores do clube. Para organizar os jogos, William Prest, um dos fundadores, ficou encarregado de estudar as várias regras do futebol amador e criar um conjunto de normas para o esporte na nova agremiação, que ficariam conhecidas como Regras Sheffield. O código serviria de base para as normas do futebol que seriam instituídas pela Associação de Futebol de Inglaterra (AF), fundada seis anos depois.

Como não havia outros times, os primeiros jogos foram entre membros do Sheffield FC, divididos em equipes de casados e solteiros ou por profissão. Os jogos despertaram o interesse da comunidade da região, tanto que, em 1962, já existiam 15 clubes, entre eles o rival Hallam FC, com quem o Sheffield FC disputa o mais antigo clássico do futebol mundial. Hoje, a equipe é amadora e disputa uma das ligas equivalentes à oitava divisão no futebol inglês.

Por que rimos em momentos errados?

Foto: Getty Images

Cena comum em velório é a seguinte: as pessoas reunidas em volta do morto, alguns choram, outros já choraram, e vem um gaiato e conta uma piada. Apesar de ser o momento mais triste da vida da família, mesmo os mais próximos do falecido são capazes de dar risada.

Não é porque a piada é fantástica. Muito menos por desrespeito ao momento. Rir no momento da dor é um mecanismo de defesa muito normal, explica a médica psiquiatra Dânia Francine Corrêa. “Rir é uma descarga da angústia que sentimos em um momento difícil. A gente se defende sorrindo”, define.

Segundo Dânia, frente a um clima pesado o cérebro tenta abrir uma brecha, rapidinho, na experiência que está sendo ruim e substituí-la por uma lembrança boa. Na verdade, fazemos isso a toda hora, porque a realidade costuma ser difícil – é o famoso rir para não chorar.

A psiquiatra lembra que substituir a verdade por uma ilusão de humor, para aliviar momentaneamente, não quer dizer que se perde a noção da realidade. “Isso também é uma técnica usada para se preparar adequadamente para lidar com a dor. É uma saída sadia e madura”, define.

Portanto, dar uma gargalhada em meio a uma briga, um momento de tensão ou até um velório é perfeitamente normal – mas talvez, no caso do velório, seja mais polido sair um pouquinho da capela quando a vontade de rir for incontrolável.

Via Terra


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